Sol e Chuva 19, 20 e 21
Eu estava no um quarto, tentando não sentir pena de mim mesma. Passando o tempo para a hora de me arrumar para a festa. O vestido pendurado no encosto da cadeira e os sapatos atirados no chão. Mandei um e-mail para minha mãe que queria saber das novidades, contando que não tinha novidade nenhuma. E me joguei na cama me virando de lado, de costas para a janela. O filhote, que agora o meu nada original pai, tinha apelidado de Lobo, estava dormindo, enrolado no tapete no chão.O celular começou a tocar em algum lugar da cama. Levantei as cobertas e as almofadas sacudindo, até que ele caiu no chão com baque. Olhei o visor iluminado com JAKE escrito. Respirei fundo, ainda pensando se deveria atender ou não. Apertei SEND.
- Oi Jake! – tentei parecer o mais natural possível.
- Oi ! Você está em casa?
Deitei na cama bagunçada. – Sim, por quê?
- Porque eu cheguei hoje mais cedo, e o velho me disse que você estava me esperando na garagem, cheguei lá e adivinha? Você não estava!
- Desculpe se eu não pude ficar esperando! Mas eu só queria deixar a minha moto mesmo! – menti.
- Poxa! Assim você me magoa. – ele disse com falsa tristeza na voz que me fez rir. - Sério que você não estava sentindo nenhum pouco da minha falta?
Engoli em seco. Amigos , ele é somente seu amigo! – Você estava ocupado, Jake. Eu não queria atrapalhar.
-Bella fugiu do sanguessuga e veio me ver. – ele começou a falar de repente me fazendo fechar os olhos, esperando pelas palavras que me causariam dor. – Ela só queria saber sobre a perseguição a vampira ruiva. Parece que o parasita não está sendo muito sincero com ela. Foi só isso, nada demais.
Por culpa de quem, que nada demais aconteceu? Perguntei mentalmente. – Não precisa se explicar Jake. – disse querendo terminar com aquele assunto que me machucava tanto.
– Só queria que você soubesse da verdade .
-Ok. E obrigada por oferecer a garagem – falei mudando de assunto. Me virando de lado na cama, pousando minha mão na cabeça do Lobo que me olhava atento, como se percebendo minha tenção.
- Não precisa agradecer, tem muito espaço por aqui.
- Eu vi que tinha uma moto vermelha ao lado da sua, era uma Lander? – puxei um assunto qualquer para mantê-lo falando, já que eu não queria que ele desligasse.
- Aquela não é minha.- ele disse cauteloso de repente. - É da Bella.
Por mais que eu fugisse, essa garota estava impregnada demais na vida dele para que fosse ignorada. – Ok Jake, tenho que me arrumar para festa. – falei por fim. Mudando de idéia sobre o término da conversa.
-Então tá. Se divirta hoje à noite. - ele disse se despedindo.
Aquilo me pegou de surpresa, acabei me levantando e sentando na cama. – Você não vai?
- Não! Vou fazer ronda no lugar de vocês!
- Vou sentir sua falta! – me vi falando antes que pudesse impedir. Mordi o lábio esperando a reação dele do outro lado da linha.
Jacob ficou alguns segundos a mais em silêncio, o que fez minha insegurança aumentar. - Você só está deixando a minha vida mais difícil, .
- Eu deixei sua vida pior Jake? – perguntei surpresa.
- Em parte, sim. - ele me respondeu me deixando mais indignada ainda.
-Ah sim Sr, eu imagino que bela vida você deveria ter aqui. – Mordi a língua para não jogar na cara a paixão platônica, não correspondida dele pela namorada do vampiro. – Se eu te faço tão mal, porque você não me deixa em paz?- falei respirando fundo para segurar a raiva.
- Você fala como se eu não tivesse tentado . Mas você também não ajuda! - ele falou e eu ouvi a sua respiração ruidosa, como se ele estivesse se segurando para não alterar a voz. Eu pelo contrario, cuspia as palavras com raiva.
– Adeus Jake! Eu tenho que me arrumar. E pode deixar que vou tentar não estragar mais a merda da sua vida! – desliguei o telefone, atirando o celular em qualquer lugar do quarto. Argh! Que ódio!
Tomei um banho frio, bem demorado para tentar acalmar a raiva que eu sentia. Sequei meus cabelos até que eles estivessem perfeitamente lisos, fiz uma maquiagem básica, coloquei o vestido, que era cor de pêssego, a parte de cima era justa como um corselet e a parte de baixo rodada, e calcei as sandália. Fiquei me analisando no espelho. Aquela não parecia ser eu. Era eu, mas minhas feições já haviam perdido totalmente as características infantis, me transformei em mulher nesse curto período. Eu nunca tinha parado para analisar como todo o grupo havia amadurecido em pouco tempo. Era uma das conseqüências da transformação.
Mas o que eu estava fazendo mesmo? Minha vontade é de atirar tudo pro alto, e me deitar em minha cama, tentar esquecer que Jacob existia. Comecei a tirar os sapatos. Eu daria qualquer desculpa para o Embry. Afinal eu não seria uma boa companhia hoje. Ouvi o celular tocando embaixo da cômoda. Se fosse Jacob, meu celular sairia voando pela janela. Mas era Chris que chamava. Atendi.
- Alô.
- Já está pronta bee? Queria tanto te ver montada! - ele disse choroso. Revirei os olhos. O Chris parecia mais mona que nunca, quando não tinha que fingir ser machinho.
- Eu já estou pronta, mas acho que não vou! – falei emburrada me jogando na cama.
- Ah não bee! Você vai nem que eu tenha que te carregar pelos seus lindos cabelos!
- Jacob me ligou e a gente acabou discutindo! – falei, fechando os olhos quando as lembranças das palavras de Jake vieram com tudo na minha mente.
- Mais um motivo para você mexer esse trazeiro sarado e ir rebolar naquele salão! Esquece o Black, pelo menos essa noite, e se divirta!
- Você está certo!
- Eu sempre estou!
-Eu te amo tanto, Chris. Você foi a melhor coisa que me aconteceu desde que eu cheguei!
-Ui! Sério? Que luxo!
Ri alto. – Pena que você é tão gay Chris, senão eu te pedia em namoro!
- Ra Ra Ra ! – ele riu do outro lado.- E eu ia acabar levando uma surra do Jacob Tudodibom Black!
Revirei os olhos. – Você tinha que estragar minha declaração de amor por você, falando no Jake! Tchau Chris que eu tenho que ir! – falei mal humorada novamente.
- Me liga amanhã e me conta tudo!
- Tá bom! Beijos! – e desliguei o celular. Ainda fiquei encarando o aparelho em minhas mãos, rindo do meu amigo gay, quando a campainha tocou no andar de baixo. Embry havia chegado na hora certa. Calcei as sandálias e desci.
-
! O Embry chegou! – John disse em um tom normal, sabendo que eu ouviria de qualquer lugar da casa.
- Já estou aqui! – respondi entrando na sala.
- Você está muito linda mesmo, minha filha! – John me disse me abraçando.
- Obrigada pai! – agradeci retribuindo o abraço. Bom, um já aprovou, agora falta o outro! Pensei me soltando de John e me virando para ver Embry que continuava parado na porta. Sua boca estava levemente aberta.
- Fecha a boca que você está babando Call! – John disse em um tom severo – E você cuide da minha filha, ouviu? – ele disse com o dedo em riste apontando para Embry. Virei os olhos.
- Claro Sr, Raindrop! – Embry respondeu sem desviar os olhos de mim.
John se sentou na poltrona com o jornal nas mãos. Dei dois passos em direção a Embry que continuava parado no mesmo lugar.
- Que foi? – perguntei a ele divertida.
- Você está... – ele me olhou de cima a baixo. - ... maravilhosa! – disse me fazendo corar.
-Hmpf! – ouvimos John bufar na sala.
- Vamos? – Embry perguntou me estendendo a mão.
- Só um momento! – corri para dar um beijo no rosto de John. – Tchau paizinho!
- Divirta-se garota! E não volte tarde!
- Pode deixar! – falei apanhando minha bolsa. – Agora sim, vamos? – Sorri e segurei a mão de Embry, fechando a porta atrás de mim.
N/A Meninas, só para titulo de esclarecimento, o Embry de Sol e Chuva (e o meu também) é, e sempre vai ser, o Krys Ivory. Nada contra o Kiowa, mas pra mim ele tá mais para o papel do Chris do que do Embry. Se é que vocês me entendem!;)
FOTINHO DO EMBRY CALL

Ao fechar a porta, eu pude analisar melhor o Embry, ele estava mais lindo do que nunca em um terno cinza. – Nossa! Mas você também está muito lindo!
Ele sorriu e passou a mão pelo cabelo curto, envergonhado. – Que bom que você gostou. – ele disse sem jeito. Demos a volta na casa, foi ai que eu vi estacionado na lateral o habbit vermelho. Diminui o passo quando reconheci o carro. – Jake nos emprestou para ir à festa – Embry começou a se explicar quando percebeu a minha reação. – Mas se você não quiser...
-Não, tudo bem Em! – falei e sorri para deixar claro que eu realmente não me importava. Embry abriu a porta do carro para eu entrar, fechando logo em seguida e dando a volta para se sentar no banco do motorista.
-Sabe
, acho que esse ano vou conseguir comprar o meu próprio carro! Já juntei quase todo o dinheiro. – ele disse orgulhoso.
- E você vai me levar pra dar uma volta nele? – perguntei.
- Sempre que você quiser! – Embry respondeu em um tom galanteador.
Só balancei a cabeça sorrindo virando o rosto para a janela. Percebi que eu estava sorrindo mais do que achava possível. Chris tem razão, eu tenho que tentar me divertir. Pensei depois de me lembrar dos conselhos do meu amigo. Embry ligou o carro e manobrou em direção a estrada.
Em poucos minutos chegamos a Quileute Tribal School. Já havia muitos carros estacionados, apesar de ser apenas pouco mais de 8 PM. Isso obrigou Embry estacionar um pouco mais afastado do iluminado ginásio da escola. Abri a porta e sai sem esperar por Embry que fez uma careta com a minha pressa, mas não disse nada.
O ginásio estava todo enfeitado, com algumas luzes coloridas que se movimentavam, iluminando as pessoas na pista de dança. Uma banda tocava em cima de um pequeno palco na extremidade oposta da entrada. Embry me carregou pela mão, cumprimentando varias pessoas no caminho, e me levou até a mesa onde Jared e Kim estavam sentados.
- Olá. – cumprimentei os dois.
- Oi
. – o casal me cumprimentou em coro.
- Onde está Paul? – Embry perguntou a Jared, já puxando uma cadeira para que eu pudesse me sentar ao lado de Kim. Ele se sentou ao meu lado.
- Dançando!- Jared respondeu apontando a pista de dança com a cabeça. Volta e meia ele alisava o rosto de Kim, ou mexia no cabelo dela, parecia que não conseguia evitar ficar sem tocá-la. Suspirei e desviei os olhos deles, pois aquele amor todo era até desconcertante.
-Quer que eu busque uma bebida para você? – Embry perguntou chamando a minha atenção para ele.
- Pode ser uma coca-cola. - Respondi. Ele se levantou rapidamente e logo sumiu entre a multidão;
- Quil não veio? – perguntei para Jared, mas realmente o que eu queria era saber de outra pessoa.
- Ele está com o Jake. Talvez eles apareçam, não sei ao certo. - ele me respondeu. Somente assenti em resposta.
- Aqui está
! Embry me alcançou o refrigerante, novamente se sentando ao meu lado.
Tomei alguns goles, antes de perceber que Embry me encarava sorrindo. – Embry, pare de me olhar assim que você está me deixando sem jeito! – reclamei rindo e deixando meu cabelo cair um pouco na frente do rosto.
Ele levantou a mão e colocou a mexa pra trás da minha orelha ainda sorrindo. Depois pegou minha mão entrelaçando os nossos dedos.
- Você tem que desculpar o Embry
, acho que é a primeira vez que ele sai com uma garota bonita. – Jared disse sorrindo, fazendo Embry responder com uma careta para ele.
- Na verdade é a primeira vez que ele sai com uma garota! – Paul falou rindo e se sentando a nossa mesa, acompanhado de uma garota sorridente de cabelos lisos e curtos.
- Não Paul, você se esqueceu que no ano passado ele trouxe a prima dele ao baile. – Embry disse gargalhando.
- Aquela de aparelho nos dentes? – Paul perguntou. – Mas ela não tinha nem doze anos. – os dois agora, se curvavam de tanto rir.
- Ra Ra Ra! – Embry riu sem humor. - Que engraçado vocês. – ele se virou pra mim. – Quer dançar
?
- Claro! – respondi me levantando e ajeitando o vestido com as mãos. Mas então senti uma pequena mão fria para o meu corpo quente, tocando o meu braço. Olhei pro lado e Kim me olhava sorrindo.
-
você iria comigo ao toalete? – ela perguntou timidamente.
- Claro Kim. – respondi a ela. – Já volto! – cochichei no ouvido de Embry, antes de seguir Kim até o banheiro.
- Você e o Embry estão namorando? – Kim me perguntou enquanto eu dava uma checada do espelho.
- Não. Somos só amigos. Porque Kim?
- Desculpa
, eu devo ter entendido mal! – ela disse sem jeito.
- Tudo bem, Kim! Talvez a gente de essa impressão mesmo. – falei abrindo a porta do banheiro e voltando para o ginásio. Ela apenas sorriu timidamente.
Quando chegamos à mesa, a primeira coisa que notei foi a expressão séria de Embry, ele encarava um ponto qualquer na mesa com uma enorme ruga na testa. Quando já ia abrir minha boca, para perguntar o que estava acontecendo, Quil veio em minha direção, com um enorme sorriso. Eu e Quil tínhamos ficado muito amigos por causa das rondas que fazíamos juntos.
- E aí
! – ele me cumprimentou batendo o ombro dele no meu. Eu sorri, mas tudo que pensava era que se Quil estava na festa, Jacob também estava. Reprimi o impulso de procurar-lo com os olhos.
- Oi Quil! Que bom que você veio! – falei me sentando no meu lugar. Tratei de fixar os olhos na latinha de coca, que a essa hora já deveria estar quente e sem gás.
- Ainda quer dançar? – Embry sussurrou no meu ouvido. Fixei os olhos nos olhos dele e assenti.
Embry se levantou segurando minha mão e me conduzindo até o meio da pista. A música era rápida e dançante, mas antes de começarmos a dançar, a banda trocou para uma de ritmo lento, uma musica romântica. Embry ainda ficou parado esperando minha reação, mas eu nem pensei, passei meus braços pelos seus ombros e afundei meu rosto em seu peito. Embry me puxou mais para ele, passando os braços pela minha cintura.
A banda anunciou um intervalo e uma musica eletrônica começou a tocar. Soltei os braços de Embry e comecei a me mexer com ao ritmo da batida. Comecei a dançar com os olhos fechados, tentando me livrar de toda a tensão dos últimos dias. Deixei meu corpo ser levado pelo ritmo pop. Fazia tempo que não dançava, meu corpo estava com saudades dos movimentos que anos em academia de balé e dança moderna me ensinaram. Abri meus olhos e dei de cara com Embry me encarando parado. Foi ai que me dei conta de onde eu estava.
- Desculpa, me esqueci que não estava no Brasil. – falei rindo envergonhada. – É que lá, as danças são um pouco mais liberais.
Embry riu. – Por mim não tem problema, só que você está aumentando o número dos meus concorrentes. – ele disse se aproximando, pegando minhas mãos e entrelaçando nossos dedos. Fiz uma negativa com a cabeça, como que dizendo que aquilo era uma grande bobagem. – Como se eu já não tivesse concorrente suficiente – ele disse me virando, fazendo com que eu enxergasse Jacob, parado encostado em uma parede me encarando intensamente. Ele vestia uma camisa branca, com as mangas dobradas até o cotovelo, e tinha as mãos enfiadas nos bolsos das calças escuras. – Acho que ele quer falar com você? – Embry sussurrou no meu ouvido.
- Mas eu não quero falar com ele. – falei desviando os olhos do olhar penetrante de Jacob. – Por favor, vamos sentar?
- Claro! – Embry disse me conduzindo até a mesa. – Quer outro refrigerante?
- Quero, por favor! – falei me sentando a mesa agora vazia. Nenhum dos outros garotos estava por perto. Eu tentava me controlar para não demonstrar que a presença de Jacob me afetava tanto.
Embry voltou com as bebidas e os garotos começaram a voltar um por um. Logo todos estavam sentados a mesa novamente. Jacob apareceu logo depois se sentando na cadeira a minha frente. Me virei de lado na cadeira e comecei a conversar com Kim, tentando ignorar os olhares de Jacob.
- Vamos indo? – Jared perguntou para Kim, depois de algumas horas de conversa e música. Ela concordou com um aceno de cabeça e os dois se levantaram. Poucas pessoas ainda continuavam na festa. O salão estava praticamente vazio.